Friday, May 20, 2005

HISTÓRIA CAHORA BASSA ( 13 )

Hidroeléctrica de Cahora Bassa ( II )
A partir de 1980 a situação política em Moçambique evolui de forma negativa com a generalização do conflito armado entre a FRELIMO e a RENAMO a quase todo o território, do qual decorrem continuados actos de sabotagem ao empreendimento de Cahora Bassa que se consubstanciaram no derrube ou danificação de 2.027 postes das linhas de transporte de energia, correspon­dendo a cerca de 860 km de linha, bem como na minagem dos seus corredores e caminhos de acesso.
Decorrido apenas cerca de um ano do arranque em pleno, o transporte de energia sofre constantes inte­rrupções, pela impossibilidade da sua transmissão para a subestação de Apollo para, no final do ano de 1980, se suspender o contrato de fornecimento, por motivo de força maior, e durante aproximadamente 12 anos, pouca seria a energia produzida e transpor­tada - à excepção dos baixos consumos das zonas centro e norte de Moçambique - pelo que sem receitas próprias o empreendimento lutou, durante esse período, com imensas dificuldades de ordem económica ou financeira, mantendo-se em funcionamento sobretudo graças a adiantamentos feitos pelo Estado Português que naturalmente fizeram crescer a dívida da HCB perante o tesouro português.
Contudo, em 2 de Maio de 1984, foi assinado um Acordo Tripartido entre representações dos Governos de Portugal, Moçambique e República da África do Sul, acordo que substituiu o de 1969 e em função do qual foram ajustados os contratos de fornecimento à ESKOM e a Electricidade de Moçambique (EDM) que aliado ao facto de ter sido celebrado entretanto o Acordo de Paz celebrado entre a Frelimo e a Renamo, levou a que se tivesse invertido a partir de 1992 a situação de semi-letargia em que o empreendimento se encontrava, mas que demorou, de qualquer modo, ainda cerca de 6 anos a ultrapassar.
De facto, existindo cerca de 50% o número de postes deita­dos por terra, a presença de minas nas imediações das linhas de transporte de energia, foi necessário proceder-se aos estudos de reabilitação das linhas - compreendendo os trabalhos de reparação das torres derrubadas em grandes extensões das linhas, a construção de largos troços de novas linhas com novas torres, novos isoladores e novos cabos, os trabalhos de verificação e colocação em condições de funcionamento da parte restante das linhas e ainda os trabalhos de desminagem - para tendo em conta os valores aproximados que custariam os respectivos trabalhos, obter junto de entidades bancárias internacionais os financiamentos necessários ao efeito.
Conseguidos estes, a Administração da HCB reuniu os meios materiais e humanos que possibilitaram a sua realização, e tornaram possível a viabilização da empresa, durante muitos anos impedida duma exploração regular por circunstâncias que lhe foram estranhas.

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